<?xml version="1.0"?>
<feed xmlns="http://www.w3.org/2005/Atom" xml:lang="en">
	<id>https://manyva.com.br/index.php?action=history&amp;feed=atom&amp;title=Racializa%C3%A7%C3%A3o</id>
	<title>Racialização - Revision history</title>
	<link rel="self" type="application/atom+xml" href="https://manyva.com.br/index.php?action=history&amp;feed=atom&amp;title=Racializa%C3%A7%C3%A3o"/>
	<link rel="alternate" type="text/html" href="https://manyva.com.br/index.php?title=Racializa%C3%A7%C3%A3o&amp;action=history"/>
	<updated>2026-05-19T05:09:18Z</updated>
	<subtitle>Revision history for this page on the wiki</subtitle>
	<generator>MediaWiki 1.42.1</generator>
	<entry>
		<id>https://manyva.com.br/index.php?title=Racializa%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=9&amp;oldid=prev</id>
		<title>Admin: Created page with &quot;Racialização  Valter Roberto Silvério  Quando digitamos a palavra &quot;racialização&quot;, o corretor ortográﬁco não a reconhece e sugere substituições como &quot;racionalização&quot;, &quot;radicalização&quot; ou &quot;parcialização&quot;. Isso indica que o termo ainda não está nos dicionários de língua portuguesa. Já nos dicionários de língua inglesa, o uso da palavra pode ser rastreado desde o século XIX. O verbo &quot;racialize&quot; (nos EUA) ou &quot;racialise&quot; (na Inglaterra) signiﬁca, em u...&quot;</title>
		<link rel="alternate" type="text/html" href="https://manyva.com.br/index.php?title=Racializa%C3%A7%C3%A3o&amp;diff=9&amp;oldid=prev"/>
		<updated>2024-09-25T14:50:19Z</updated>

		<summary type="html">&lt;p&gt;Created page with &amp;quot;Racialização  Valter Roberto Silvério  Quando digitamos a palavra &amp;quot;racialização&amp;quot;, o corretor ortográﬁco não a reconhece e sugere substituições como &amp;quot;racionalização&amp;quot;, &amp;quot;radicalização&amp;quot; ou &amp;quot;parcialização&amp;quot;. Isso indica que o termo ainda não está nos dicionários de língua portuguesa. Já nos dicionários de língua inglesa, o uso da palavra pode ser rastreado desde o século XIX. O verbo &amp;quot;racialize&amp;quot; (nos EUA) ou &amp;quot;racialise&amp;quot; (na Inglaterra) signiﬁca, em u...&amp;quot;&lt;/p&gt;
&lt;p&gt;&lt;b&gt;New page&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;div&gt;Racialização&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Valter Roberto Silvério&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Quando digitamos a palavra &amp;quot;racialização&amp;quot;, o corretor ortográﬁco não a reconhece e sugere substituições como &amp;quot;racionalização&amp;quot;, &amp;quot;radicalização&amp;quot; ou &amp;quot;parcialização&amp;quot;. Isso indica que o termo ainda não está nos dicionários de língua portuguesa. Já nos dicionários de língua inglesa, o uso da palavra pode ser rastreado desde o século XIX. O verbo &amp;quot;racialize&amp;quot; (nos EUA) ou &amp;quot;racialise&amp;quot; (na Inglaterra) signiﬁca, em uma tradução livre, “as formas como a linguagem é usada para colonizar, racializar e comercializar o Outro”. O adjetivo &amp;quot;racialized&amp;quot; (EUA) ou &amp;quot;racialised&amp;quot;&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(Inglaterra) está relacionado a uma ideologia que diferencia &amp;quot;europeus e Outros&amp;quot;. O substantivo &amp;quot;racialização&amp;quot; se refere a processos onde minorias étnicas enfrentaram uma intensa discriminação, com uma hierarquia que coloca a branquitude no topo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nas ciências sociais, a racialização começou a ser debatida após a Segunda Guerra Mundial. Nas décadas de 1970, o foco era a &amp;quot;raça&amp;quot;; nos anos 1980, o racismo; e, a partir dos anos 1990, a racialização (Solomos e Back, 1994; Barot e Bird, 2001). Barot e Bird, por exemplo, argumentam que, embora a racialização seja útil para entender essas questões, ainda não resolveu os problemas causados pela ambiguidade do termo &amp;quot;raça&amp;quot; (Banton, 1997).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Após a Segunda Guerra Mundial, houve grandes mudanças globais, acompanhadas por novas formas de regulação social promovidas pela ONU, especialmente pela Unesco, para evitar tragédias como o fascismo e o nazismo. No entanto, a segregação racial nos EUA continuou até 1968, e o apartheid na África do Sul, iniciado em 1948, só terminou em 1994. Muitos movimentos de libertação na Ásia e África inﬂuenciaram essas transformações, como a Conferência de Bandung (1955) e os congressos de escritores negros em Paris&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
(1956) e Roma (1959). Na Europa, a imigração das antigas colônias trouxe debates sobre relações raciais, ligadas a novas formas de racialização. Isso levou ao uso de termos como &amp;quot;novo racismo&amp;quot; e &amp;quot;racismo cultural&amp;quot; para descrever as mudanças nas ideias e práticas raciais.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Banton (1967) e Miles (1982, 1986) discutem como o termo &amp;quot;raça&amp;quot; é cientiﬁcamente inválido e defendem que a análise deveria focar no racismo. Miles argumenta que a raça é uma construção política e que os processos de racialização estruturam as relações sociais, baseando-se nas características biológicas humanas para deﬁnir grupos sociais diferenciados (Miles, 1989). Porém, essas diferenciações raciais sempre se cruzam com a classe social, o que limita a compreensão do racismo e das relações racializadas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Nos Estados Unidos, Winant (1994) defende que a raça é um conceito ﬂuido, constantemente transformado por conﬂitos políticos e moldando identidades e estruturas sociais. Ele usa o conceito de &amp;quot;formação racial&amp;quot; para explicar como os signiﬁcados raciais evoluem e afetam a vida das pessoas. No Reino Unido, o Centro de Estudos Culturais Contemporâneos (CCCS) criticou as visões tradicionais sobre raça e enfatizou a autonomia do racismo em relação a outras relações sociais. Stuart Hall, um dos principais teóricos do CCCS, argumentava que o racismo não pode ser explicado apenas pelas relações econômicas e políticas, mas possui uma autonomia própria dentro da sociedade (Hall, 1980).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A perspectiva do CCCS (Centro de Estudos Culturais Contemporâneos) inﬂuenciou obras como &amp;quot;The Empire Strikes Back&amp;quot; (1982), que trouxe contribuições importantes para o entendimento da raça como uma construção política aberta. Gilroy (1987) sugeriu que identidades coletivas, como a de &amp;quot;negro&amp;quot;, são moldadas pela raça e a localidade, e são meios poderosos de coordenação de ações e solidariedade.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
1.	Quando falamos sobre a &amp;quot;problemática racial&amp;quot;, as críticas geralmente recaem sobre o uso do termo &amp;quot;raça&amp;quot;, que é considerado cientiﬁcamente inválido. Apesar disso, sociólogos frequentemente evitam lidar diretamente com essa invalidez nas suas teorias. A proposta de substituir &amp;quot;raça&amp;quot; por&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
&amp;quot;processo de racialização&amp;quot; é mais útil do ponto de vista sociológico, pois permite que o debate sobre &amp;quot;raça&amp;quot; não ﬁque abstrato e distante das experiências reais das pessoas que vivenciam o racismo. Na prática, o racismo é uma realidade concreta e não relativa; as sociologias que se baseiam no conceito de &amp;quot;raça&amp;quot; ﬁzeram pouco para resolver essa questão, especialmente em relação à terminologia utilizada.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
2.	O conceito de racialização tem sido utilizado para apontar processos de transformação cultural. Ou seja, a racialização indica que a ideia de &amp;quot;raça&amp;quot; não é ﬁxa e imutável, mas é constantemente reinventada e reinterpretada, especialmente em contextos culturais. Como sugerido por Miles (1989), não existe uma ideologia única e estática sobre a raça. Ao contrário, o que vemos são várias maneiras pelas quais as ideias e estruturas sociais são racializadas. Embora Miles enfatize a relação entre raça e classe social, ele reconhece que isso não é a única maneira de entender a racialização, abrindo espaço para outras abordagens que consideram aspectos culturais e simbólicos além das meras estruturas econômicas.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
3.	Fanon, assim como Banton e Miles, argumenta que a racialização foi um processo europeu usado para justiﬁcar a negação de outras culturas e a dominação colonial. Fanon, porém, vai além ao abordar a resistência à racialização, sugerindo que essa resistência, em alguns casos, pode ser violenta, pois foi moldada pela experiência brutal do colonialismo. Em &amp;quot;Os Condenados da Terra&amp;quot;, Fanon discute como a violência do colonialismo provoca uma resposta igualmente violenta. Além disso, ele destaca que a racialização não é apenas um processo social; ela também envolve o corpo e a psique. Em Pele Negra, Máscaras Brancas, Fanon explora como o corpo racializado e as experiências psicológicas da racialização são fundamentais para compreender o impacto do racismo, tanto no passado quanto no presente. Ele argumenta que a percepção racializada do corpo é uma forma contínua de opressão que afeta profundamente a identidade e as relações sociais. Um exemplo marcante está no relato em que Fanon descreve a experiência de ser interpelado como &amp;quot;um negro&amp;quot;, e como isso afeta sua percepção de si mesmo:&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
“Olha, um negro!” Fanon escreve: Eu era responsável ao mesmo tempo por meu corpo, minha raça, por meus ancestrais. Eu me submeti a um exame objetivo, descobri minha negritude, minhas características étnicas; e fui espancado por tom-toms, canibalismo, deﬁciência intelectual, fetichismo, defeitos raciais, escravos e, acima de tudo, acima de tudo: &amp;quot;Sho &amp;#039;good&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
eatingin&amp;#039;. Naquele dia, completamente deslocado, sem poder andar com o outro, o homem branco, que me aprisionou sem dó, me afastei da minha presença, muito longe, e me ﬁz objeto. O que mais poderia ser para mim&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
senão uma amputação, uma excisão, uma hemorragia que salpicou todo o meu corpo com sangue negro?” (Fanon, 2008, p.112).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
A reﬂexão de Fanon (2008) tem inspirado muitos estudos sobre a cultura visual, que investigam como a construção de imagens e representações raciais está ligada a formas de violência. Esses estudos questionam a maneira como as raças são representadas e como isso afeta a forma como as pessoas se veem e são vistas. Produtores culturais e ativistas têm criticado essas representações, e isso continua sendo debatido por pessoas que se identiﬁcam com diferentes raças e etnias. No centro dessas análises está a ideia de que a forma como representamos os grupos racializados é resultado de processos históricos de colonização e imperialismo, e que essas imagens continuam a alimentar desigualdades e violência na sociedade atual. As imagens, sejam fantasiosas ou consideradas parte da realidade, ajudam a manter estruturas de poder que afetam nossa forma de entender o mundo.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Para Fanon, a racialização está profundamente enraizada em discursos e imagens do passado colonial que continuam a inﬂuenciar a forma como as diferenças raciais são marcadas hoje. O primeiro aspecto desse processo é o que ele chama de &amp;quot;epidermização&amp;quot;, ou seja, a forma como a cor da pele e a ideia de raça passam a deﬁnir as oportunidades e barreiras que as pessoas enfrentam ao longo de suas vidas. A visão de que o europeu é o modelo de ser humano, enquanto o negro é reduzido a um objeto ou estereótipo, é uma consequência direta desse processo (Faustino, 2013a; 2018c).&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
O segundo ponto é a internalização dessas ideias tanto pelo colonizador quanto pelo colonizado. Isso signiﬁca que as pessoas passam a se enxergar e a enxergar o outro de acordo com essa visão distorcida, criada pelo colonialismo, que divide o mundo em &amp;quot;branco&amp;quot; e &amp;quot;negro&amp;quot; de forma ﬁxa e hierárquica. Essa dicotomia empobrece a forma como os indivíduos percebem a si mesmos e o mundo ao redor. A ideia de raça se torna uma barreira que impede o reconhecimento da humanidade mútua.&lt;br /&gt;
&lt;br /&gt;
Além disso, essa racialização do branco está ligada a uma ideia de superioridade, na qual o branco é visto como o referencial universal de humanidade, enquanto o negro é desumanizado e visto como inferior. Esse processo de desumanização do negro faz parte de uma tentativa de manter a posição de poder do branco. Como resultado, ativistas e intelectuais negros e africanos têm mostrado que o racismo, apesar de ser uma criação dos brancos, afeta a todos. Para o negro, o racismo impõe uma identidade de &amp;quot;outro&amp;quot;, e é a partir dessa posição que ele luta para construir sua própria identidade de forma ativa e resistente.&lt;/div&gt;</summary>
		<author><name>Admin</name></author>
	</entry>
</feed>